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Opinião


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O Capitalismo Mundial na Balança Divina
Mário Cumandala ( Economista)

Não gosto de balanças. Não gosto de ser pesado em nenhuma delas, isto porque elas sempre dizem como você está. Muitos já nem sobem mais para não ficarem desesperados.

Mas existe uma balança da qual ninguém pode fugir – Esta balança pode muitas vezes ser o olhar critico das estrelas que nos mesmo criamos. Estrelas como o Bob Geodof, Amnistia internacional, a SIC, Mário Soares, Sousa Jamba, Médicos sem Fronteiras – em fim todo aquele que geme ao ver tanta injustiça social de nossos dias. E que dizer da Balança de DEUS.

Deixo a ortodoxia dogmática sobre a balança de Deus para uma abordagem talvez vinda dos teólogos e religiosos de minha geração. A verdade porem, e que, todos nós, cedo ou tarde, estaremos subindo ali para sermos pesados.

Tambem não estaria fazendo justiça ao um tema tão pesado como esse, e falar de pesos e medidas sem recorrer ao texto mais antigo, a Bíblia. Por lá encontrei e a historia de um governante, que como os nossos lideres, mantinha tudo e todos sob suas rédeas.

O relato nos vem do segundo Império Universal, o Império Babilónico. Esta e a historia de um homem, que nunca se importou com a balança social, ou dos olhos dos seus semelhantes. Por isso acabou subindo para a balança de Deus.
Este acabou sendo um encontro tão dramático. O personagem em causa, Belshazzar, neto do famoso Nabucodonosor, rei da Babilónia, que viveu no VI Século antes de Cristo, nao teve outra escolha, mais subir na balança divina.

Babilónia (Portal dos deuses) foi considerada a mais impressionante metrópole da antiguidade. A cidade começou a ser edificada nas imediações da Torre de Babel (Gn 11) pelo rei Sargão I (2350 a.C) às margens do rio Eufrates. Mas foi Nabucodonosor quem a tornou inigualável na Antiguidade.

A principal entrada da cidade era o Portal de Ishtar (deusa do amor e da guerra). Esse portal media 12m de altura, feita de tijolo esmaltado com figuras de tigres, leões e touros em relevo. Passado o portal, havia uma avenida pavimentada de pedra calcária de 1km de extensão, a Avenida da Procissão, que era cercada por um muro decorado com 120 leões, 575 dragões e touros.

O historiador grego Heródoto (640 a.C) afirma que a cidade era um quadrado perfeito (24km cada lado), cortada ao meio pelo rio Eufrates. Era cercada por 2 muralhas (a externa deixava passar um carro com 4 cavalos) e 250 torres que se elevavam até 90m, 100 portões de bronze.

Babilónia era abastecida por um complexo sistema de canais e aquedutos; Nabucodonosor construiu um palácio onde mandou plantar um jardim suspenso para homenagear sua esposa; as casas da cidade eram de 3 ou 4 andares.

A construção mais alta da cidade era o “Zigurate”(torre-templo) dedicado ao deus “Marduque” (touro do sol); a maioria da população era de caldeus, mas muitos nobres de povos conquistados eram levados para lá afim de aprenderem o idioma, a cultura, a religião e administração babilónica (como Daniel e seus 3 amigos Dn 1.4,5) - um tipo de universidade internacional do império caldeu.

Todo esse património agora é administrado por Belshazzar, que na verdade nem é mesmo o rei, mas o príncipe da Babilónia. Seu pai, Nabônidas é o rei, mas está sempre ausente. Então, é seu filho quem comanda as coisas na capital do império.

Belshazzar, até onde se sabe, jamais lutou uma batalha, nem sequer uma, jamais construiu um celeiro, uma ponte, um palácio, jamais acrescentou coisa alguma ao património que seu avô lhe deixou, herdou tudo de graça, na faixa.

Mas numa coisa, Belshazzar ultrapassou de longe Nabucodonosor - na arrogância. A arrogância esta que o levou a destruição e a destruição do grande império babilónico.


A primeira grande única realização de Belshazzar é um banquete. Não é uma celebração por alguma conquista notável, ou por um grande acordo entre nações, ou por um casamento. Não, é um banquete para deixá-lo no centro das atenções.

Vamos imaginar como tudo isso pode ter acontecido.

Certo dia Belshazzar chamou o seu principal assessor e disse:
- Veja bem, estive pensando, meu pai esta sempre viajando, eu fico aqui nessa mesmice. Majestade pra cá, majestade pra lá. É preciso agitar as coisas, não aguento mais essa monotonia. Vamos dar uma festa, mas aquela festa, a maior que esse pedaço do mundo já viu. Prepare a maior sala do Palácio, compre a melhor e mais rica decoração, contrate os melhores kuduristas, as mais famosas dançarinas, os vinhos mais caros e finos, o melhor chef de cozinha, e mande convidar 1000 governadores e ministros desta nobreza.”

No dia do banquete, a cidade inteira estava em festa. O Portal de Ishtar foi aberto e os convidados entravam pela Avenida da Procissão.

As ruas estavam todas enfeitadas, as casas ornamentadas, o povo nas janelas das casas acenando e saudando os convidados e autoridades. Carruagens luxuosas, trazendo embaixadores, generais de exército, oficiais, governadores, grandes comerciantes não paravam de chegar. Vestimentas multicoloridas eram vistas em toda a parte. A cidade era uma festa só.

O dia foi passando, a noite chegou e o palácio foi completamente tomado pelos convidados. Os empregados acendem as tochas, a orquestra começa a tocar, flautas, harpas, tamborins, címbalos, cantores, dançarinos e dançarinas tomam o centro do salão.

A certa altura, uma trombeta é ouvida – o arauto proclama a chegada do rei ao Baile: – Belshazzar – Mestre da Riqueza, Rei de Babilónia, está no salão.

Todos se curvam e saúdam o monarca. Então começa oficialmente a festa. Centenas de serventes saem pelos quatro cantos da sala do banquete oferecendo vinho farta e generosamente. As mesas estão repletas de carne assada, frutas, as mais diversas iguarias da gastronomia babilónica.

À medida que a noite avança, os convidados vão ficando mais excitados e descontrolados. A inocente alegria do início da festa dá lugar à anarquia. A nudez, a sensualidade, a imoralidade tomam conta da festa.

Mas à certa altura do banquete, Belshazzar completamente enlouquecido pela bebedeira, chama um dos seus servos e lhe dá uma ordem aviltante:

- Agora eu quero beber nos cálices de Jerusalém! Vá logo e pegue os cálices de ouro e prata que meu avô Nabucodonosor trouxe de Jerusalém.

Em poucos minutos, os Cálices do SENHOR, estão nas mãos daquele rei hediondo e insolente, dos seus governadores e oficiais, comerciantes, e até das mulheres e concubinas. As Taças Sagradas estão ali, não para levarem ofertas a DEUS, mas embebedar ainda mais aquela gente.

Mas isso ainda não era suficiente. Belshazzar queria ir mais longe. Não bastava usar os Utensílios da Casa de DEUS para seu próprio prazer. Ele queria afrontar, desafiar, disputar com o DEUS de Israel.

Assim, numa atitude de desprezo sem precedentes, Belshazzar propõe um brinde aos deuses da Babilónia.

Quem são esses deuses? A quem Belshazzar saúda enquanto bebe nas Taças de DEUS?

Baal, mestre do mundo, senhor da Terra;

Anu, deus do céu;

Ae, deus da sabedoria;

Sin, o deus da lua;

Shamash, deus do sol;

Ishtar, a deusa do amor;

Marduke, o senhor de Babilónia;

Nabu, o deus da vegetação;

Nergal, deus das profundezas;

Ninib, o deus da cura;

Rammam, deus da tempestade e do trovão;

Tammuzz, deus da renovação da terra;

Asshur, deus dos deuses da terra.

Quão longe pode ir um ser humano antes que o Cálice da Ira de DEUS se extravase? Quão longe tem ido os nossos lideres mundiais. E em Africa, caso concreto, Uganda com o regime de Idi Ami Dada, o terror Angolano dos 27 anos de guerra civil, e que dizer da guerra do Iraque, do Afeganistão – o capitalismo mundial mobilizado para combater o terrorismo. Que se faz com a fome, a pobreza, a falta de medicamentos, empregos, acesso a educação e finanças, acesso a terras aráveis. E agua, energia, habitação, tudo aquilo que se espera de uma sociedade de seres humanos para seres humanos?

Belshazzar testou o limite da paciência de DEUS. Não duvido que o mesmo estão fazendo os Lideres Africanos para não dizer mundiais. Estão os Belshazzar do século XXI algo diferente? E se a balança divina descesse hoje para pesar o capitalismo selvagem ao qual nos todos somos subjugados e por cima atrelado ao Cristianismo?

Mas foi no meio da noite, no auge da loucura de Belshazzar, que DEUS interveio. Veja em Daniel 5.5-6:

De repente, apareceu a mão de um homem e ela começou a escrever na parede branca do salão do banquete, num lugar iluminado pela luz do candelabro. Ao ver a mão, o rei não sabia o que pensar; ficou pálido de medo e começou a tremer da cabeça aos pés.

Gosto desta sequência poética – uma parede branca, preparada para ser escrita, um candelabro acesso para iluminar a parede, e ‘dedos de mão’, de uma mão sem braço, escrevendo silenciosa e firmemente 4 sinais totalmente desconhecidos.

Imediatamente o ambiente muda. A Kizomba pára, as marimbas e tambores silenciam, a gritaria e a danação emudecem. Olhos esbugalhados de todos os cantos se voltam para aquela parede. O rei de Babilónica está transtornado. Isso não faz parte do show do banquete. Seu rosto está pálido, suas pernas tremem, os joelhos batem um no outro. Belshazzar, o homem que comanda o mais poderoso exército da terra, cercado das maiores riquezas e tesouros que se tem noticia, rodeado de todos os seus melhores amigos, está apavorado.

Imediatamente Belshazzar ordena que compareçam à sala do banquete todos os seus adivinhadores, astrólogos e sábios:
—Aquele que ler o que está escrito na parede e me explicar o que quer dizer será vestido com roupas de púrpura, receberá uma corrente de ouro para pôr no pescoço e será a terceira autoridade mais importante no meu reino. (Vs 7)

Babilónia de então, como hoje Londres, Nova York, Tokio, Paris, Genebra, Cairo, era o centro da Intelectualidade mundial. Ai falavam-se todos os idiomas da terra. Gente do mundo inteiro vivia lá. Todos os professores de Línguas estrangeiras, cientistas e eruditos estavam diante daqueles 4 sinais, mas tudo é um completo mistério.

A essa altura o temor é generalizado, até os generais estão aterrorizados. Nesse momento, a mãe de Belshazzar lhe fala de Daniel, um sábio que tem o espírito dos santos deuses, que interpretou um sonho terrível do seu avô Nabucodonosor. Sem mais o rei manda chamar a Daniel, e ele explicará o que está escrito na parede. Em poucos minutos Daniel é levado a presença do rei.

- Daniel, você está vendo esses sinais na parede? Nenhum dos sábios da babilónia sabe o que está escrito aí.
Portanto, se você puder ler o que está escrito e me explicar o que quer dizer, você será vestido com roupas de púrpura, receberá uma corrente de ouro para pôr no pescoço e será a terceira autoridade mais importante do meu reino. (v. 16)

Daniel responde: - Olha, eu vou fazer isso de graça, pode dar essa recompensa pra outro.

“… Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a Ele não glorificaste. Então, da parte dele foi enviada aquela mão que traçou esta escritura. Esta, pois, é a escritura que se traçou:

MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. Esta é a interpretação daquilo:
MENE: Contou Deus o teu reino e deu cabo dele.

TEQUEL: Pesado foste na balança e achado em falta.
PERES: Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas. (vv. 19-28)

Poucas horas depois destas palavras, Belshazzar, o rei de Babilónia foi morto. Não foi morto por um raio do céu, uma praga ou um ataque cardíaco. Foi morto pela espada de Dário, rei dos Medos.

Belshazzar foi pesado na balança de DEUS e foi achado em falta. Foi aferido e faltava nele alguma coisa. Era rico e abastado e não precisava de coisa alguma, mas na balança de DEUS, foi reprovado. Era poderoso e influente, mas na balança de DEUS foi desclassificado.

O que desclassificara os nossos presidentes que muitos deles não contemplam encurtar seu tempo de responsabilidade?
A globalização que diminui as barreiras internacionais para o comércio e o investimento, usando uma analise critica, esta agravando a armadilha da pobreza internacional.

Existe pobreza em meio a abundância, em meio a orçamentos avaliados em triliões para fazer guerra enquanto isso -- a situação nos países mais pobres do mundo está piorando mais do que se imaginava. As próprias instituições capitalistas reconhecem esta evidência, como confirmam os relatórios da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento - Unctad.
De acordo com esta agencia da ONU, o número de pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia nos 49 países mais pobres do mundo -principalmente em África mais do que duplicou nos últimos 30 anos, chegando a 307 milhões, o que equivale a 65% da população. As estimativas som de que este número pode chegar a 420 milhões em 2015.

Quem respondera por esse crime quando a Balança Divina passar pela Casa Branca, Londres, Paris, Harare, Pretoria, Brasília, Lagos e certamente no Palácio da cidade Alta em Luanda? Quem será desclassificado?